Adolescentes podem fazer cirurgia plástica?

A busca pelo corpo ideal faz com que os jovens recorram, cada vez mais cedo, à cirurgia plástica. Por se tratar de um período de transformação, tanto física quanto psicológica, os pais ficam inseguros quanto aos anseios dos filhos e, neste momento, recorrem à opinião do cirurgião plástico.

Segundo publicação do Jornal do Brasil, o número de cirurgia plásticas em adolescentes, entre 14 e 18 anos, atingiu 100 mil casos nos últimos anos. Em 2010 esse número era equivalente a 50 mil procedimentos.

As intervenções mais procuradas nesta faixa etária são:

  • Mamoplastia de aumento;
  • Mamoplastia redutora;
  • Lipoaspiração;
  • Otoplastia;
  • Ginecosmatia;
  • Rinoplastia

O cirurgião plástico, Dr. Mário Farinazzo, destaca que por se tratar de uma época marcada por necessidade de aceitação perante o grupo e mudanças físicas, muitos jovens demonstram insatisfação com o corpo. “É papel do profissional entender a principal motivação para realizar o procedimento e, se for necessário, indicar um acompanhamento psicológico”, esclarece.

Cerca de 40% de jovens que desejam fazer intervenções está relacionado a problemas físicos. Os outros 60% são motivados por questões estéticas. Alguns adolescentes procuram especialistas por apresentarem problemas que causam dor. Por exemplo, meninas com problema de coluna pelo excesso de mama e meninos com ginecomastia.

A otoplastia e a rinoplastia também são intervenções muito procuradas por jovens, pois muitos sofrem bullying dos colegas por apresentarem as denominadas “orelhas de abano” ou um nariz proeminente. Nesses casos, geralmente, existe indicação cirúrgica, pois esse cenário pode interferir na autoestima e levar ao isolamento social.

Quando o adolescente está preparado para uma cirurgia plástica?

Não existe uma regra pré-definida para avaliar qual é a idade ideal para fazer uma operação estética e é importante analisar cada caso separadamente. Além disso, as questões emocionais devem estar equilibradas, pois a insatisfação corporal pode significar a existência de Transtorno Dismórfico Corporal (TDC), disfunção onde existe um excesso de preocupação com a aparência.

“Em alguns casos, aconselhamos os pais a convencerem seus filhos a esperarem um pouco mais para realizar a cirurgia plástica”, revela. O profissional relata que às vezes pode ser um desejo passageiro. Ele explica que um dia o adolescente pode reclamar do nariz e na semana seguinte mudar o seu foco de atenção para outra parte do corpo. “É extremamente importante analisar esses sinais antes de tomar uma decisão”, aconselha.

Todo paciente, independentemente da idade, deve ter uma expectativa realista com relação aos resultados. Essa perspectiva, na maioria das vezes está relacionada à maturidade, característica que não foi desenvolvida totalmente na fase pré-adulta. “ Às vezes o adolescente quer fazer a operação para se tornar mais popular, imitar uma amiga ou ser aceito em um grupo”, destaca.

Farinazzo afirma que alguns procedimentos devem ser realizados apenas após a maioridade. “A lipoaspiração, por exemplo, é indicada para pessoas em idade adulta. Não há necessidade de fazer antes disso”, avisa. O médico também diz que a rinoplastia e a redução de mama podem ser realizadas entre 16 e 18, dependendo do caso.

otoplastia pode ser recomendada ainda na infância. “A partir dos sete anos de idade o pavilhão auricular já se desenvolveu totalmente”, informa. Nesses casos o especialista sugere que a intervenção plástica seja realizada durante as férias escolares.

Farinazzo também ressalta a importância da sinceridade do adolescente no momento da consulta pré-operatória; “O jovem deve ser verdadeiro com relação aos seus hábitos e possíveis vícios, como drogas e cigarro, pois esses fatores interferem no procedimento”, informa.

A cirurgia plástica durante a adolescência pode ser realizada de forma segura e consciente. Para isso é muito importante que seja estabelecida uma relação de confiança entre o paciente, pais e o cirurgião plástico.

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