Cirurgia plástica: quando a busca por um corpo atlético se torna doença?

O cuidado com a aparência é comum desde a Idade Antiga. Porém, se essa preocupação era exclusividade do público feminino, hoje a cirurgia plástica impacta os homens na mesma proporção.

Atualmente, é possível identificar, com mais frequência, transtornos relacionados à autoimagem também no sexo masculino.

Enquanto a maioria das mulheres almeja um corpo mais magro, os homens buscam uma estrutura musculosa. Essa obsessão pela forma física perfeita, denominada dismorfia corporal ou muscular, faz com que muitos usem anabolizantes, façam dietas incoerentes sem acompanhamento profissional e procurem cirurgiões plásticos, com a intenção de realizar procedimentos estéticos considerados descabíveis e sem se preocupar com a saúde.

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, SBEM, o uso de esteroides cresceu assustadoramente, inclusive entre os jovens. Um estudo recente apontou que 1 em cada 16 estudantes já consumiu anabolizantes.

O uso de esteroides pode gerar várias complicações. Veja as principais:

  • Distúrbios e tumores no fígado;
  • Comportamento agressivo;
  • Alucinações;
  • Aumento da pressão arterial;

Além de serem proibidas, essas substâncias oferecem risco de infecção pelo HIV e hepatite, pois muitas agulhas são compartilhadas e obtidas sem prescrição médica.

A dismorfia corporal em pacientes de cirurgia plástica

A alteração da percepção corporal pode ser apresentada desde níveis leves até estágios gravíssimos, que é o caso do modelo, conhecido como Ken humano.

Para ficar parecido com o icônico boneco Ken, o modelo se submeteu a mais de 20 cirurgias plásticas, incluindo uma prótese peitoral.

Ele também realizou vários procedimentos estéticos para pele e aplicação de hidrogel para aumentar o volume das pernas.

Homens que apresentam dismorfia corporal têm uma visão estética distorcida do seu corpo. Embora apresentem a musculatura desenvolvida de forma proporcional e adequada, acreditam que estão fracos, magros e frágeis.

Alguns procuram cirurgiões plásticos para implantar próteses peitorais de tamanhos exorbitantes.

O transtorno pode provocar sérios danos à saúde física e mental, atrapalhando atividades do dia a dia. Os sinais de pessoas que apresentam a disfunção são:

  • Depressão;
  • Insônia;
  • Falta de apetite;
  • Excesso de treino;
  • Isolamento social.

A dismorfia pode ser diagnosticada em homens e mulheres, mas, quando trata-se da musculatura como principal foco, é mais comum em homens entre 18 e 35 anos.

Geralmente, essas pessoas começam a dedicar cerca de 4 a 5 horas do seu dia para atividades físicas, resultando em algum tipo de prejuízo social, como abandono de trabalho ou estudos.

Apesar de existirem muitos estudos sobre a origem do distúrbio corporal, a causa ainda é desconhecida. A disfunção exige acompanhamento psicológico, que tem como objetivo mudar o comportamento e recuperar a autoestima do paciente.

É fundamental encontrar um equilíbrio entre o saudável e o compulsivo e essa estabilidade deve ser buscada tanto na prática de atividades físicas, quanto na procura por cirurgias plásticas.